Cientistas da City University de Hong Kong descobriram que nanoplásticos podem entrar em peixes-zebra através de duas vias distintas: exposição pela água e exposição alimentar. Estas partículas plásticas minúsculas, medindo menos de 1 micrômetro, podem atravessar barreiras biológicas para entrar no sistema circulatório e subsequentemente translocar e acumular em vários órgãos. A pesquisa, publicada na Environmental Chemistry and Ecotoxicology, encontrou nanoplásticos no sangue, cérebro, brânquias, fígado, intestinos, gônadas e músculos de peixes-zebra expostos.
Dentro de 24 horas após ingestão, nanoplásticos entraram na corrente sanguínea e se espalharam pelo corpo, acumulando-se rapidamente em órgãos e atingindo níveis estáveis dentro de dias. As brânquias e intestinos foram identificados como os órgãos de absorção mais importantes, enquanto os intestinos serviram como principal órgão de excreção. No entanto, uma porção dos nanoplásticos permaneceu presa dentro do corpo por períodos prolongados, levando a acumulação persistente em tecidos críticos.
Esta acumulação generalizada poderia potencialmente levar a distúrbios em sistemas como o nervoso e reprodutivo, com os casos mais graves possivelmente atrofiando o crescimento e reprodução dos peixes. Estudos de campo anteriores encontraram fragmentos plásticos dentro de peixes, principalmente no sistema digestivo, com evidências de plásticos entrando no sistema circulatório. A nova pesquisa fornece insights sobre como estas partículas entram na corrente sanguínea e viajam pelo corpo.
Com base nos resultados experimentais, os pesquisadores desenvolveram um modelo computacional que simula nanoplásticos em corpos de peixes. Este modelo previu com sucesso como nanoplásticos acumulam, viajam e são eliminados de diferentes órgãos, seja ingeridos da água ou alimentos. O modelo também fornece uma referência valiosa para prever como nanoplásticos poderiam se comportar em mamíferos, incluindo humanos.
"Nosso estudo demonstra que nanoplásticos podem atravessar barreiras biológicas, entrar no sistema circulatório de peixes e se espalhar por seus corpos," disse o autor correspondente Wen-Xiong Wang. "Esta jornada alarmante também pode ocorrer em outros animais, e até em humanos." Os resultados da pesquisa são detalhados no estudo disponível em https://doi.org/10.1016/j.enceco.2025.10.002.
Peixes-zebra são comumente usados em pesquisa toxicológica devido às suas semelhanças fisiológicas e genéticas com humanos, tornando estas descobertas particularmente relevantes para entender potenciais impactos na saúde humana. À medida que resíduos plásticos se fragmentam em partículas menores no ambiente, animais aquáticos inadvertidamente ingerem nanoplásticos suspensos na água ou consomem alimentos contaminados. A capacidade destas partículas ultra-pequenas de atravessar barreiras biológicas representa uma preocupação ambiental e de saúde significativa.
O estudo foi apoiado pela National Science Foundation da China e pelo General Research Fund do Hong Kong Research Grants Council. Wang foi apoiado por uma Bolsa Sênior de Pesquisa de 5 anos do Hong Kong Research Grants Council. Estas descobertas contribuem para o crescente entendimento dos impactos biológicos da poluição por microplásticos e destacam a necessidade de mais pesquisas sobre os efeitos dos nanoplásticos em ecossistemas e saúde humana.

