Irina Ciochiu, fundadora da FlightHelp, está pedindo que os passageiros de companhias aéreas em toda a Europa se tornem mais conscientes de seus direitos sob os regulamentos EU261 antes de aceitar as decisões das companhias aéreas como definitivas. A iniciativa surge em meio a relatos de que milhões de passageiros podem ser elegíveis para compensação, mas nunca apresentam uma reclamação.
De acordo com estimativas da indústria europeia, mais de 30 milhões de passageiros em toda a Europa podem se qualificar para compensação sob EU261 a cada ano. No entanto, menos de 40% dos passageiros elegíveis apresentam uma reclamação, deixando bilhões de euros em potencial compensação não reclamados anualmente. A Eurocontrol relata que o tráfego aéreo europeu voltou a níveis quase pré-pandêmicos, aumentando o número de passageiros afetados por interrupções operacionais durante períodos de viagem movimentados.
Para Ciochiu, a questão vai além da compensação. Ela enfatiza que os direitos dos passageiros só são significativos se as pessoas puderem fazê-los valer. “Os direitos dos passageiros só importam se as pessoas realmente conseguirem fazê-los valer”, disse ela. Ciochiu, que estudou direito na Universidade de Craiova, fundou a FlightHelp para ajudar passageiros a navegar por regulamentos de compensação complexos em toda a Europa.
Um dos maiores equívocos, segundo ela, é que a primeira resposta de uma companhia aérea é sempre definitiva. “Mesmo quando as companhias aéreas citam circunstâncias extraordinárias, os passageiros ainda podem se qualificar para compensação, dependendo dos fatos reais em torno da interrupção”, explicou Ciochiu. Ela observou que as companhias aéreas raramente fornecem razões operacionais detalhadas para interrupções por escrito, dificultando que os passageiros contestem negações.
A importância dessa conscientização é ressaltada pela escala do problema. Mais de 30 milhões de passageiros por ano podem se qualificar para compensação sob EU261, mas menos de 40% dos passageiros elegíveis apresentam reclamações. Com o tráfego aéreo de volta aos volumes pré-pandêmicos, o risco de interrupções durante as temporadas de pico aumentou, levando a mais conexões perdidas, custos adicionais de hospedagem e oportunidades de viagem perdidas.
Ciochiu incentiva os passageiros a tomar medidas práticas após qualquer interrupção significativa de voo: guardar cartões de embarque e confirmações de reserva, salvar todas as comunicações da companhia aérea, registrar os horários reais de chegada, guardar recibos de despesas extras, documentar o que a equipe da companhia aérea diz no aeroporto e aprender o básico sobre as proteções EU261. “Uma preparação simples pode fazer uma diferença significativa mais tarde”, disse ela. “Os passageiros estão em uma posição muito mais forte quando têm informações completas.”
Ela também aconselha os passageiros a buscar orientação profissional antes de aceitar uma reclamação rejeitada como definitiva. “O verdadeiro desafio é traduzir regras complexas em soluções práticas para viajantes do dia a dia”, disse Ciochiu.
Melhorar a educação dos passageiros beneficia toda a indústria da aviação, incentivando maior transparência e responsabilidade. À medida que as viagens aéreas continuam a crescer, entender os direitos dos passageiros torna-se cada vez mais importante. O trabalho de Ciochiu foca em simplificar estruturas legais que muitos passageiros consideram esmagadoras.
“Sucesso é criar sistemas que resolvem problemas do mundo real em escala, especialmente em indústrias onde os indivíduos muitas vezes não têm apoio”, disse ela. Ao aumentar a conscientização, Ciochiu espera que mais viajantes estejam preparados para afirmar seus direitos antes de sua próxima viagem.
