Pesquisadores espanhóis desenvolvem novo material de nanotubos de carbono que pode substituir o cobre em veículos elétricos e aeronaves

Pesquisadores espanhóis desenvolvem novo material de nanotubos de carbono que pode substituir o cobre em veículos elétricos e aeronaves

Pesquisadores espanhóis desenvolveram um novo material que pode reduzir significativamente o peso dos sistemas elétricos em veículos elétricos (VEs), drones e aeronaves. O avanço, publicado na Science e liderado pelo Instituto de Nanociência e Materiais de Aragão e pelo Instituto de Materiais IMDEA, envolve um processo de dopagem química que aumentou a condutividade dos nanotubos de carbono em 17 vezes, mantendo as fibras estruturalmente intactas.

À temperatura ambiente, as fibras dopadas atingem cerca de 40% da condutividade elétrica do cobre. No entanto, ajustado pelo peso, sua condutividade específica excede a do alumínio. As fibras pesam aproximadamente um sexto do cobre, enquanto oferecem cerca de cinco vezes a resistência à tração. Versões anteriores dessas fibras eram conhecidas por serem resistentes e leves, mas não tinham capacidade suficiente de condução de corrente, tornando este ganho de condutividade o avanço principal.

A melhoria veio do tratamento das fibras com tetracloroaluminato (AlCl4-), um dopante que introduz portadores de carga sem perturbar a rede atômica — um desafio de longa data. Preservar a integridade estrutural foi crítico, pois um condutor que falha em serviço não tem valor prático.

As implicações para VEs são substanciais. VEs modernos carregam cargas significativas de cobre, especialmente nos feixes de fiação grossa que gerenciam energia de alta tensão. Substituir parte desse cobre por um material mais leve reduz a massa do veículo e aumenta a autonomia. A menor resistividade em temperaturas operacionais também reduz o acúmulo de calor. Em drones, reduzir a massa dos cabos se traduz diretamente em maior tempo de voo, e para desenvolvedores de aeronaves, a economia de peso gera retornos desproporcionais.

O material tem desempenho confiável em condições secas e mostra tolerância aceitável à umidade, fatores-chave para padrões de certificação de transporte. Em condutividade específica — o benchmark que os fabricantes mais priorizam — as fibras tratadas entraram em território que merece atenção séria de engenharia. Em valores de pico, elas também excedem a condutividade do alumínio em termos absolutos.

Os desafios restantes são de fabricação: produzir fibras consistentes em escala, garantir compatibilidade de hardware e estabelecer um perfil de custo competitivo com metais convencionais. Se esses problemas forem resolvidos, a tecnologia pode passar dos laboratórios para os sistemas elétricos de VEs e aeronaves de próxima geração. A infraestrutura de reciclagem para esses materiais também precisará ser desenvolvida.

Muitas empresas do setor automotivo, como a Ferrari N.V. (NYSE: RACE), estarão observando para ver se este novo material se torna comercialmente disponível em escala e a preços que tornem a troca do cobre economicamente viável.

Redação da Burstable

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@estouro

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