A 10ª Conferência da Associação Mundial de Estudos Chineses (WACS 10), realizada em 14 de agosto na Universidade de Hong Kong, contou com uma palestra principal do premiado escritor Xuemo, que posicionou a literatura como um contraponto essencial ao avanço da inteligência artificial. Em sua palestra intitulada "Usando a Literatura para Conectar o Mundo: Sabedoria e Transcendência na Era da IA", Xuemo argumentou que, embora os algoritmos moldem cada vez mais a experiência humana, a literatura continua sendo a ponte mais verdadeira entre os corações humanos.
Xuemo descreveu seu processo criativo como a entrada em um estado de "consciência holística", deixando de lado o ego e os limites sensoriais para deixar a obra emergir como uma resposta natural ao sofrimento e às aspirações humanas. "Amor e sabedoria", disse ele, "são a alma da grande literatura". Seu artigo, apresentado na primeira página do jornal da conferência, atraiu imediatamente a atenção de estudiosos internacionais.
A conferência, que reuniu estudiosos do Uzbequistão, da Europa e das principais universidades da China, destacou o impacto interdisciplinar do trabalho de Xuemo. O professor Richard Van Ness Simmons, Diretor de Estudos Chineses da Universidade de Hong Kong, observou o uso magistral do dialeto de Liangzhou por Xuemo—um tesouro linguístico que carrega cinco mil anos de herança agrária. Simmons também apontou a meticulosa colaboração de Xuemo com o tradutor Howard Goldblatt, envolvendo milhões de caracteres de diálogo sobre nuances dialetais, como um novo padrão para a fidelidade intercultural.
O professor Martin Woesler, membro da Academia Europeia de Ciências, traçou paralelos entre a voz narrativa de Xuemo e o pensamento fenomenológico ocidental. Woesler elogiou a estratégia de Xuemo de dar liberdade criativa aos tradutores, chamando-a de "mudança de jogo" para levar a literatura chinesa aos leitores globais. Essa abordagem, argumentou Woesler, poderia remodelar a forma como as obras literárias chinesas são traduzidas e recebidas em todo o mundo.
As implicações da mensagem de Xuemo vão além da esfera literária. À medida que a inteligência artificial continua a permear todos os aspectos da vida diária, sua afirmação de que "a verdadeira barreira para a compreensão intercultural nunca é a técnica—é a profundidade do nosso cuidado com a própria vida" oferece um lembrete oportuno do valor duradouro da expressão humanística. Sua crescente base de leitores globais e o crescente reconhecimento acadêmico sugerem uma verdade contraintuitiva: quanto mais a tecnologia avança, mais o mundo anseia por histórias que falem diretamente da condição humana compartilhada através de fronteiras, línguas e idades.
Xuemo é autor de mais de 80 livros, com traduções em 31 idiomas, tornando-o um dos autores vivos mais traduzidos e internacionalmente reconhecidos da China. Suas obras marcantes, incluindo a Trilogia do Deserto, Into the Desert e a monumental épica em oito volumes Suosalang, receberam recentes honrarias internacionais, como o New York City Big Book Award, o International Book Awards e o International Impact Book Awards (2024–2025).
A conferência serviu como plataforma para Xuemo reforçar o papel da literatura em um mundo cada vez mais digital. Sua palestra, que ressoou entre disciplinas, sublinhou a importância do amor e da sabedoria na expressão criativa. Enquanto os estudiosos continuam a explorar a interseção entre tecnologia e humanidade, o trabalho de Xuemo oferece uma perspectiva atemporal sobre o poder da narrativa.
