Uma equipe de pesquisa do Texas Children's Hospital e do Baylor College of Medicine, em colaboração com a Stanford University School of Medicine, publicou uma revisão no World Journal of Pediatric Surgery detalhando um protocolo prático projetado para acelerar o diagnóstico de atresia biliar (AB), uma doença hepática rara, mas grave em recém-nascidos. A abordagem combina medições de bilirrubina direta ou conjugada (BD/BC) com um exame de ultrassom abdominal alimentar, visando identificar lactentes que precisam de avaliação urgente enquanto minimiza procedimentos invasivos desnecessários.
A atresia biliar ocorre quando os ductos biliares fora do fígado estão bloqueados ou ausentes, levando ao acúmulo de bile e danos hepáticos progressivos. O tratamento precoce com a portoenterostomia de Kasai (PEK), idealmente antes de 30–45 dias de vida, oferece a melhor chance de retardar ou evitar o transplante hepático. No entanto, muitos lactentes são diagnosticados após 60 dias, pois a icterícia precoce pode mimetizar condições neonatais comuns e fezes claras podem não aparecer imediatamente. A estratégia recém-descrita busca encurtar esse atraso diagnóstico através de duas etapas práticas.
A primeira etapa envolve medições de BD/BC no berçário neonatal e durante consultas ambulatoriais precoces. De acordo com a revisão, os níveis de BD/BC podem estar elevados nas primeiras 24–48 horas de vida em lactentes com AB, mesmo antes de outros sinais clínicos surgirem. Os profissionais de atenção primária são encorajados a testar os níveis de BD/BC às 2–4 semanas para lactentes com icterícia persistente, fezes claras ou um resultado alto anterior, em linha com as diretrizes da Academia Americana de Pediatria.
A segunda etapa é um exame de ultrassom abdominal alimentar para lactentes com níveis elevados de BD/BC. Diferente dos ultrassons tradicionais em jejum, o lactente se alimenta antes ou durante a imagem, o que pode melhorar a visualização do ducto no hilo (DaH). O exame também mede a ecogenicidade máxima (ExM) próxima à veia porta direita. Uma ExM maior que 4,0 mm ou ausência de DaH levanta suspeita de AB e pode indicar avaliação definitiva, enquanto outros achados apoiam o monitoramento ambulatorial contínuo.
Os autores enfatizam que o protocolo é projetado para tornar a avaliação precoce de AB mais acionável para toda a equipe de cuidados, incluindo profissionais do berçário, médicos de atenção primária, radiologistas, hepatologistas e cirurgiões. O objetivo não é substituir o julgamento especializado, mas fornecer sinais mais claros quando o tempo é crítico. Ao compartilhar o protocolo, os pesquisadores esperam que outros centros forneçam feedback, testem a abordagem em diversos cenários e adaptem componentes úteis em seus próprios fluxos de trabalho.
As implicações potenciais desta estratégia são amplas. A triagem universal de BD/BC em recém-nascidos poderia reduzir atrasos diagnósticos e pode ajudar a abordar disparidades no diagnóstico, identificando o risco antes que sinais visuais sejam perdidos ou interpretados erroneamente. A abordagem de ultrassom alimentar poderia tornar a avaliação de acompanhamento menos onerosa, evitando o jejum e potencialmente reduzindo a dependência de exames que exigem anestesia ou procedimentos invasivos. Para as famílias, a detecção mais precoce poderia significar decisões de tratamento mais rápidas e uma melhor chance de preservar o fígado nativo.
Estudos futuros precisarão avaliar a implementação, custo-efetividade e desempenho em múltiplos centros e sistemas de saúde. A revisão, publicada no World Journal of Pediatric Surgery, foi apoiada por financiamento do NIH National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, da American Association for the Study of Liver Diseases, da American Liver Foundation e da Biliary Atresia Research and Education, Inc, entre outros.
