Um novo estudo publicado no City and Built Environment fornece uma estrutura prática para transformar políticas climáticas em design urbano resiliente, com foco nas altamente urbanizadas cidades de Pasig e Makati, na Região Metropolitana de Manila. A pesquisa, liderada pela Professora Dina Cartagena Magnaye da Escola de Planejamento Urbano e Regional da Universidade das Filipinas, examina como a governança urbana inteligente pode conectar políticas, coordenação institucional e design arquitetônico para criar empreendimentos responsivos ao clima. As descobertas abordam uma lacuna crítica: embora o planejamento urbano resiliente ao clima tenha ganhado atenção, poucos estudos exploraram como os mecanismos de governança se manifestam na escala das edificações.
A urbanização está se acelerando em todo o mundo, aumentando a pressão sobre terras, infraestrutura, sistemas de energia e qualidade ambiental. As cidades também contribuem significativamente para as emissões de gases de efeito estufa, enquanto distritos urbanos densos enfrentam riscos crescentes de inundações, estresse térmico, poluição e desastres. Na Região Metropolitana de Manila, esses desafios são agravados pela governança fragmentada e pela dificuldade em traduzir políticas climáticas em projetos concretos. O estudo investiga como a governança urbana inteligente pode orientar a tomada de decisões, desde a formulação de políticas até os resultados de design, usando um estudo de caso qualitativo múltiplo de um condomínio residencial de alto padrão, um empreendimento comercial e de escritórios e um projeto de uso misto.
A coleta de dados envolveu revisões de políticas, entrevistas semiestruturadas e observações in loco. A análise foi organizada em três níveis: macro (políticas e instituições), meso (coordenação institucional) e micro (design e desenvolvimento). O estudo também aplicou quatro fases de adaptação comunitária—fortificação e defesa, acomodação, recuo e limpeza—como lente para avaliar as respostas climáticas. Os resultados mostraram que a governança urbana inteligente funciona melhor quando há convergência de coordenação interagências, coerência regulatória e participação das partes interessadas. Em Pasig, o empreendimento residencial enfatizou segurança, coesão social, espaços abertos, ventilação natural e habitabilidade. Em Makati, o projeto comercial e de escritórios priorizou arquitetura verde, eficiência energética, desempenho habilitado por tecnologia e preparação para desastres. O empreendimento de uso misto adotou uma estratégia equilibrada integrando gestão ambiental, mobilidade e conforto dos ocupantes. Em todos os casos, políticas e regulamentos se traduziram em características de design visíveis, como infraestrutura verde, medidas contra riscos de inundação e sísmica, estratégias de resfriamento passivo, espaços abertos e configurações espaciais adaptativas.
Os autores enfatizam que a resiliência climática não pode ser alcançada apenas por políticas ou design; depende de conexões cotidianas entre planejadores, reguladores, incorporadores, governos locais e comunidades. A governança urbana inteligente deve ser entendida como um modelo de coordenação que ajuda as cidades a traduzir metas climáticas em decisões práticas de design. Em cidades densas e propensas a riscos, como a Região Metropolitana de Manila, isso significa alinhar códigos de construção, planejamento do uso do solo, salvaguardas ambientais e necessidades da comunidade antes que os projetos cheguem à construção. O estudo oferece orientação para formuladores de políticas, planejadores urbanos, arquitetos, incorporadores e governos locais em regiões em rápida urbanização. Projetos em escala de edificações podem servir como plataformas ativas para adaptação climática quando apoiados por regulação coerente, colaboração institucional e planejamento participativo.
A estrutura proposta pode ajudar a avaliar se os projetos de desenvolvimento não apenas estão em conformidade com as regras, mas também alinhados com resiliência, sustentabilidade e bem-estar público. Para a Região Metropolitana de Manila e outras cidades do Sudeste Asiático, essa abordagem aborda a questão premente de como a política climática pode passar de documentos de planejamento para os edifícios, ruas e espaços públicos onde as pessoas vivem e trabalham. O estudo foi publicado com DOI 10.1007/s44213-026-00068-9 e apoiado por duas bolsas de pesquisa RGC (nº E-HKU702/17 e nº 17202618). Pesquisas futuras poderão estender a estrutura a outras regiões metropolitanas usando abordagens quantitativas ou de métodos mistos para avaliar como a coordenação da governança afeta os resultados da adaptação climática.
