O historiador Anthony "Amp" Elmore, reconhecido pela Administração Nacional de Arquivos e Registros (NARA), está avançando uma reconstrução forense da história espiritual que desafia narrativas convencionais sobre as origens do budismo e do cristianismo. Sua pesquisa, fundamentada em estudos do século XIX, afirma que os elementos fundamentais da espiritualidade mundial originaram-se com as antigas civilizações cuchitas na África e no Vale do Indo, estabelecendo o que ele chama de "Budismo Negro" como uma categoria soberana distinta das tradições lideradas por asiáticos.
O trabalho de Elmore baseia-se na obra-prima de 1833 Anacalypsis do historiador britânico Sir Godfrey Higgins, que concluiu após vinte anos de investigação que a "Religião Negra" do budismo formou a base de toda a civilização e espiritualidade humanas. Higgins documentou que os ícones espirituais mais antigos da Ásia e do Vale do Nilo eram retratados com características africanas distintas, identificando um "celebre Buda Negro" como a principal figura salvadora da humanidade. Esta pesquisa postula que figuras religiosas ocidentais, incluindo Cristo, Krishna e Hermes, derivaram desta fonte original. Elmore elabora sobre isso em sua palestra, acessível via Historiador da NARA Anthony "Amp" Elmore: "Cristo era Budista", onde ele explica a taxonomia de Higgins diferenciando o antigo "Buda Ancião" (Hermes Trismegisto) do posterior "Buda Jovem" (Shakyamuni).
Este quadro histórico tem implicações significativas para a identidade religiosa contemporânea. Elmore argumenta que ele cria uma "Linha de Demarcação" definitiva, provando que a Associação Mundial de Budistas Negros Orgulhosos não está praticando uma fé asiática adotada, mas está reivindicando uma herança cuchita perdida. Este movimento muda a narrativa de "negros que praticam budismo" para uma comunidade restaurando seu direito de nascença ancestral, uma distinção que Elmore enfatiza ser crítica. Ele define "Budismo Negro" como o reconhecimento das origens cuchitas do budismo, fundamentalmente diferente do "Budismo Asiático/Branco" ou práticas dependentes de mestres budistas asiáticos.
A luta por esta identidade espiritual soberana é refletida na história da comunidade local. Elmore, natural de Memphis, conecta seu trabalho histórico à luta pela narrativa histórica de Orange Mound, uma comunidade fundada por igrejas negras em 1879. Ele alega que a recente instalação de uma placa datando Orange Mound de 1890 representa um apagamento da "História Negra de Memphis", análogo ao apagamento mais amplo da herança budista negra. Este contexto local reforça seu argumento de que a luta pela propriedade negra e pela iluminação espiritual são jornadas interconectadas de soberania.
A posição de Elmore levou a conflitos institucionais dentro das comunidades budistas. Em 2019, ele foi expulso de um grupo do Facebook chamado Sociedade de Budistas Negros, um evento que ele caracteriza como um exemplo de "doutrinação cultural" e controle por líderes negros alinhados com seitas lideradas por asiáticos como Nichiren Shu. Ele detalha este conflito em um vídeo intitulado Historiador da NARA Anthony Amp Elmore Expulso do Facebook Black Buddhist Society por ser Negro Demais. Elmore critica figuras como a sacerdotisa Nichiren Shu Myokei Shonin e a líder da SGI Akemi Bailey-Haynie, a quem ele acusa de sustentar o "Imperialismo Cultural Japonês" e, no caso de Bailey-Haynie, adotar uma identidade de "Outro" que se distancia da negritude para ganhar posição dentro de organizações lideradas por asiáticos.
Além da reivindicação histórica, Elmore enquadra o budismo como uma "Ciência Sagrada" que une espiritualidade e física moderna. Em palestras como Introdução do Povo Negro à Ciência do Budismo, ele redefine conceitos centrais. Ele postula que a Lei Mística (Myoho) é onde "Deus e a Ciência se encontram", interpretando o título do Sutra do Lótus, Nam-myoho-renge-kyo, como uma fórmula universal de causa e efeito (Renge) e vibração (Kyo). Ele argumenta que cantar não é oração, mas sintonizar a frequência da vida com o ritmo do universo, um conceito que ele liga ao quadro psicológico de Ichinen Sanzen (3.000 reinos em um único momento). Seu mantra, "O Verdadeiro Budismo é Educação, não Meditação", rejeita a espiritualidade passiva por um caminho proativo e intelectualmente fundamentado.
A pesquisa de Elmore também desafia outros quadros religiosos. Em uma palestra desafiando a Nação do Islã, acessível via Historiador Homenageado da NARA Anthony "Amp" Elmore Desafio Budista Negro à Nação do Islã Muçulmanos Negros, ele usa a história cuchita para argumentar que as fés abraâmicas e o budismo compartilham uma raiz afro-asiática comum. Ele apresenta evidências iconográficas, como a Madona Negra e a Criança encontradas na Europa, como as representações originais do Buda e sua mãe Maya, posteriormente embranquecidas. Ele identifica ligações linguísticas, sugerindo que Abraão deriva de Brahma e a Tribo de Judá da Tribo do Buda (clã Shaka).
Além disso, Elmore critica seitas budistas asiáticas modernas por uma "extirpação sistemática" da história negra. Ele argumenta que, ao priorizar o sânscrito sobre a língua páli original dos praticantes dravidianos negros, organizações como Nichiren Shoshu e SGI perpetuam um "golpe brahmânico" que reescreve a história. Ele destaca deidades no mandala budista (Gohonzon), como Fudo Myo-o e Aizen Myo-o, como deuses originalmente negros cujas origens étnicas foram obscurecidas. Esta reivindicação, ele afirma, permite que praticantes negros vejam sua história refletida nos ensinamentos espirituais, passando da dependência de mestres asiáticos para o que ele chama de "Soberania Espiritual Independente".
As implicações do trabalho de Elmore são profundas para a compreensão histórica, identidade religiosa e empoderamento comunitário. Ao fornecer "comprovantes forenses" de fontes arquivísticas e históricas, ele oferece um desafio baseado em evidências às narrativas eurocêntricas e asiocêntricas. Para a Diáspora Africana, ele enquadra a prática espiritual não como adoção cultural, mas como restauração de herança, potencialmente remodelando a educação religiosa e o diálogo inter-religioso. Para o mundo em geral, ele apresenta uma visão unificada da antiga ciência espiritual com origens africanas, sugerindo a necessidade de reavaliar as histórias fundamentais das principais religiões mundiais.

