Uma conferência recente em Washington DC focou na crise de direitos humanos e na instabilidade política contínua da Etiópia, contando com palestrantes proeminentes que pediram maior conscientização e responsabilização internacional. O evento destacou a perseguição religiosa, a violência étnica e as questões constitucionais que afetam o país.
Sylvia Stanard, representando a United for Human Rights e Youth for Human Rights, enfatizou a natureza universal dos direitos humanos conforme delineada na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Stanard observou que os direitos à vida, liberdade, segurança e liberdade de pensamento estão sendo violados diariamente na Etiópia, com a liberdade religiosa sob ataque particular. Ela apontou igrejas e padres como evidência dessa perseguição.
Stanard destacou o desafio de atrair atenção global para a crise da Etiópia em meio a outros conflitos de alto perfil em todo o mundo. Ela instou a diáspora etíope e aliados a educar formuladores de políticas e a mídia sobre a gravidade da situação, afirmando que informações precisas são cruciais para a ação internacional. Stanard direcionou aqueles que buscam mais informações sobre educação em direitos humanos para www.humanrights.com.
Ato Yilkal Getnet apresentou uma análise intitulada "Federalismo Étnico e a Crise na Etiópia", argumentando que o sistema de federalismo étnico consagrado constitucionalmente na Etiópia criou instabilidade política. Segundo Getnet, esse sistema prioriza a identidade étnica em vez da unidade nacional, resultando em fragmentação política e agitação social. Ele observou especificamente que o povo Amhara sofreu significativa repressão política e narrativas prejudiciais sob esse sistema.
Abel Gashe, líder em organizações etíope-americanas que trabalham para aumentar a conscientização, descreveu assassinatos em massa e massacres ocorrendo na Etiópia. Gashe relatou que mais de cinquenta cristãos ortodoxos foram mortos nos últimos dois a três meses nas regiões de Arsie e Wollega devido às suas afiliações religiosas. Ele detalhou igrejas sendo queimadas e fiéis massacrados, incluindo o recente assassinato do Diretor Executivo da região de Wollega, cujo corpo não foi recuperado. Gashe caracterizou esses eventos como genocídio religioso visando cristãos ortodoxos e amharas por suas crenças e identidade.
Gashe apelou ao governo etíope para defender cidadãos sendo mortos por suas crenças e identidade, afirmando que proteger os cidadãos de tais assassinatos deveria ser a missão principal do governo. Ele enfatizou que o assassinato de cristãos ortodoxos e amharas atingiu níveis de genocídio e deve ser interrompido.
Scott Morgan, chefe do Grupo de Trabalho para África da International Religious Freedom, observou que a crise da Etiópia compete por atenção com outros conflitos africanos, incluindo situações na Nigéria e na República Democrática do Congo que atualmente recebem mais foco internacional. Morgan ressaltou que a situação no norte da Etiópia permanece tão séria quanto outros pontos de crise na África e merece atenção igual da comunidade internacional.
A conferência, organizada e moderada por Mesfin Mekonen, autor do boletim Washington Update sobre as lutas da Etiópia, concluiu com apelos para que a comunidade internacional preste mais atenção às violações de direitos humanos na Etiópia. Os palestrantes defenderam diálogo significativo e políticas destinadas a restaurar estabilidade e justiça em conformidade com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

